Dissecando a Medicina
Publicações recentes · 22 de outubro · Vídeo · 4 partes

Hipócrates: o médico que escuta

Da doença como castigo dos deuses ao Juramento. Uma série em quatro partes, publicadas de 22 a 25 de outubro.

Imagine ir ao médico e ouvir: “a culpa é sua. Você ofendeu um deus, e a cura é um sacrifício.”

Durante séculos, a doença foi vista como castigo divino. Na Grécia do século V a.C., Hipócrates de Cós e a escola que levou o seu nome passaram a vê-la como um processo natural do corpo. Para eles, a saúde dependia do equilíbrio de quatro humores (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra), e a doença vinha do desequilíbrio.

Hipócrates não foi o primeiro médico. Mas ajudou a definir o que um médico deve ser: alguém que escuta, observa e não julga. O Juramento atribuído a ele pede que o médico afaste o doente “de todo dano e injustiça”.

A teoria dos humores ficou para trás. A ideia de equilíbrio, não: hoje a chamamos de homeostase.

Parte 1 · A doença como castigo dos deuses

publicada em 22/10

Durante muito tempo, a doença foi vista como castigo divino, e curar era aplacar a divindade. Até que, na Grécia do século V a.C., um médico da ilha de Cós começou a pensar diferente. Hipócrates não foi o primeiro médico. Então por que ele é chamado de pai da medicina?

Parte 2 · Os quatro humores do corpo

publicada em 23/10

Os filósofos gregos buscavam causas naturais para o mundo: Tales via o princípio de tudo na água, Anaxímenes no ar. A escola de Hipócrates levou essa ideia para dentro do corpo. Para os hipocráticos, o corpo tinha quatro humores: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra. A saúde dependia do equilíbrio entre eles, e a doença vinha do desequilíbrio. Pela primeira vez, a doença deixava de ser punição e virava um processo natural.

Parte 3 · Do equilíbrio ao Juramento

publicada em 24/10

A teoria dos humores ficou para trás, mas a ideia de equilíbrio sobreviveu: hoje a chamamos de homeostase. Excesso ou falta de sódio, cálcio ou glicose ainda são lidos como desequilíbrios a corrigir. A escola hipocrática também deixou uma herança ética: o Juramento, em que o médico promete agir em benefício do doente e afastá-lo “de todo dano e injustiça”.

Parte 4 · O médico que escuta

publicada em 25/10

Um médico que escuta, que observa e que não julga. Esse é o ideal que Hipócrates ajudou a cristalizar há quase 2.500 anos. Na prática, nem sempre conseguimos, porque somos humanos. Mas voltar às raízes ajuda a lembrar o essencial: nenhum paciente deveria ouvir que a doença é culpa dele. Cuidar é usar a técnica com sabedoria e acolher.

Referências

  1. CAIRUS, H. F.; RIBEIRO JR., W. A. Textos hipocráticos: o doente, o médico e a doença. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.
  2. JOUANNA, J. Hippocrates. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1999.
  3. NUTTON, V. Ancient medicine. 2. ed. London: Routledge, 2013.
  4. REZENDE, J. M. À sombra do plátano: crônicas de história da medicina. São Paulo: Unifesp, 2009.

Créditos

Obras: Poussin, Rubens/Pontius, Rafael, Polenov, Girodet, Luke Fildes, Crônica de Nuremberg, manuscritos do Corpus Hipocrático e do Juramento (domínio público).

Fotos: Marie-Lan Nguyen (CC BY 2.5); George E. Koronaios (CC BY-SA 4.0); Lalupa (CC BY-SA 3.0); Heiko Gorski (CC BY-SA 3.0); Sailko (CC BY 3.0); Wellcome Collection (CC BY 4.0); Rijksmuseum (CC0), via Wikimedia Commons.

Música: “Lasting Hope”, Kevin MacLeod (incompetech.com), CC BY 4.0.